Blog Dupont Spiller

Próxima parada: futuro

23/08/2019

Na última semana, participei de uma missão empresarial na China promovida pela Startse, em Xangai, representando a Dupont Spiller Advogados com outros 27 empresários brasileiros, em que pudemos conhecer um pouco do cenário tecnológico e cosmopolita da China.





Foi uma semana enriquecedora. Conversamos com empresários sobre como conseguiram tracionar seus negócios, conhecemos melhor empresas disruptivas, buscamos entender por que a China é um mercado perfeito para escalabilidade e, de fato, aprofundar o conhecimento no país que é referência mundial na aplicação de novas tecnologias.



Ao chegar na China, a primeira impressão não foi apenas a de aterrissar em outro país, mas de chegarmos em outro planeta. Trata-se de uma nação altamente tecnológica, que caminha a passos largos para assumir a liderança econômica mundial, seja pelas escolhas assumidas pelo governo (promoção industrial, desenvolvimento de infraestrutura para conectividade, facilitação do comércio internacional e do deslocamento geográfico de pessoas e o desenvolvimento sustentável), seja pelo simples fato dos bilhões de chineses que diariamente movimentam a economia mundial. 



Além disso, desde 2013, o governo chinês vem fazendo um forte movimento econômico e político no projeto chamado Belt and Road Initiative (BRI), que é a modernização e infraestrutura da antiga Rota da Seda, fazendo com que haja uma grande conexão entre países asiáticos e europeus com facilitação do comércio e deslocamento de pessoas. Sobre isso, temos muito mais para estudar.





Na China, o desenvolvimento dos “super aplicativos” tornou a vida cada vez mais conectada e os colocou em um patamar digital surpreendente. É cada vez mais difícil (ou até mesmo impossível) comprar um simples café com dinheiro. Plaquinhas de “No cash acceptable” se multiplicam nos estabelecimentos, pois mais de 70% dos pagamentos no país ocorrem por intermédio de carteiras digitais como Alipay ou Wechat e 97% dos millennials efetuam seus pagamentos pela leitura de um QR Code. 



A tecnologia vem fazendo com que os bens de consumo sejam cada vez mais acessíveis e muito mais rápidos de se entregar. Não é difícil encontrar estabelecimentos que fazem o delivery em menos de 30 minutos após sua compra, como, por exemplo, a rede de Supermercados Herma, do Grupo Alibaba. Ao comprar na loja, a atendente certifica se haverá alguém na casa do cliente, porque provavelmente as compras chegarão antes mesmo dele chegar na sua própria residência.





Também é fácil notar o alto grau de vigilância e segurança que as cidades chinesas contam. São mais de 200 milhões de câmeras distribuídas em pontos públicos e particulares, que vão de ruas e avenidas, repartições públicas ou prédios residenciais, ônibus urbanos ou até mesmo dentro dos Didi´s (o Uber chinês). A sensação é que vivemos nitidamente dentro de um big brother da vida real.



A cultura de trabalho chinesa, conhecida como “996” (9h da manhã até às 9h da noite por 6 dias da semana), vem mostrando o império que está sendo construído e como ideias conseguem ser validadas tão rapidamente. Isso evidencia também como empresas conseguem tracionar em um mercado tão grande com ganho de escala de uma forma assustadoramente ágil. 



O país do futuro chegou e cresce de acordo com as suas escolhas e aquém das demais potências mundiais. Para aqueles assustados com o modelo lá praticado, lembro que, ao contrário do que acontece em Las Vegas, podem ter certeza de que “o que acontece na China, não fica apenas na China”.



Xie Xie…








Por Gabriel Dupont 



Tecnologia e Inovação